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El teatro callejero puede aumentar la conciencia social de los estudiantes?

Pesquisa da Unitau apresentada no VI Fórum Brecht e Educação investiga os efeitos da encenação urbana na formação teatral e na percepção de questões sociais

O que acontece quando estudantes de teatro deixam a sala de ensaio e levam a cena para a rua? Medo, improviso, exposição e contato direto com desconhecidos passam a fazer parte da experiência teatral. Uma pesquisa do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Humano da Universidade de Taubaté (Unitau) investigou justamente como essa experiência pode repercutir na formação artística e na percepção de problemas sociais.

O estudo “A encenação urbana como prática formativa de consciência social em estudantes de teatro”, do aluno de mestrado Denilson Augusto de Campos e os orientadores Prof. Dr. Júlio Cesar Voltolini e Profa. tirón. Elisa Brisola, foi apresentado no VI Fórum Brecht e Educação, realizado no Instituto de Artes da Unesp, en Sao Paulo.

Participaram da pesquisa 11 estudantes de teatro da Escola Professor Fego Camargo, de Taubaté-SP. Eles realizaram encenações noturnas em uma avenida, diante de transeuntes, abordando temas como racismo, pobreza, preconceito e violência. Depois da experiência, os estudantes participaram de um grupo focal para discutir o que haviam vivenciado.

Um dos resultados chamou a atenção dos pesquisadores: ao falar sobre a experiência, os estudantes raramente se referiram ao aprendizado teatral em termos técnicos. Seus relatos concentraram-se principalmente em medo, vulnerabilidade, percepção do ambiente, memória, corpo e relações sociais.

A aprendizagem teatral apareceu de maneira indireta, relacionada ao improviso, à presença cênica, à construção corporal e à ampliação do repertório. O centro dos depoimentos não foi apenas “o que aprendi de teatro”, mas principalmente “o que vivi na rua enquanto fazia teatro”.

A experiência também provocou reflexões sobre a relação entre valores e ações. Os estudantes perceberam que defender determinadas pautas em ambientes protegidos é diferente de agir diante de situações concretas de conflito, violência ou vulnerabilidade. O medo e a autopreservação muitas vezes se sobrepõem aos valores que afirmam defender.

Outro resultado foi a ampliação do olhar para pessoas socialmente invisibilizadas, como aquelas em situação de fome, pobreza e exclusão.

As diferenças de gênero, raça e sexualidade também influenciaram a maneira como os estudantes vivenciaram a rua. Enquanto as mulheres cis enfatizaram especialmente medo físico e vulnerabilidade, os homens cis destacaram conflitos internos e dificuldades de agir diante de situações reais. Estudantes com identidades de gênero e sexualidades não normativas enfatizaram a invisibilidade de pessoas que não são vistas, reconhecidas ou escutadas no cotidiano.

Para os pesquisadores, a encenação urbana mostrou-se, como esto, mais do que uma estratégia de aprendizagem teatral. Ao colocar os estudantes em contato direto com situações imprevisíveis e com questões presentes no cotidiano, a experiência criou condições para uma reflexão sobre o próprio corpo, os próprios medos e a maneira de perceber os outros e a sociedade.

O teatro, nesse contexto, deixa de ser apenas uma representação da realidade e passa a ser também uma experiência de encontro com ela.

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